O ano cinematográfico de 2025 foi intenso. Vimos disputas acirradas nas bilheterias, debates fervorosos sobre o futuro de franquias consagradas e muita expectativa girando em torno de universos já conhecidos do público. Mais do que qualquer outra coisa, o cenário atual provou que a audiência continua com fome de diversidade narrativa. Tivemos de tudo um pouco nas telonas. Grandes blockbusters de heróis dividiram as salas com animações de peso emocional gigantesco e animes que, literalmente, levantaram plateias inteiras. Em meio ao burburinho dos grandes estúdios, o ano também serviu de palco para o último ato de talentos que deixaram sua marca na indústria.

Para entender o que realmente pautou as conversas, basta observar os destaques apontados pela crítica e pelos agregadores de notas. Cada lançamento trouxe sua própria bagagem para o debate cultural.

O Retorno dos Heróis e a Força da Nostalgia

James Gunn assumiu a enorme responsabilidade de reabrir o capítulo da DC nos cinemas e não decepcionou. Com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, o novo Superman evitou a armadilha de tentar reinventar a roda. O longa estrelado por David Corenswet na pele de Clark Kent dá o pontapé inicial no novo DCU apostando no clássico. A direção equilibrou dilemas morais com muita ação, trazendo personagens icônicos como Lex Luthor e Lois Lane para criar uma mistura honesta de modernidade e nostalgia. É um recomeço calcado na esperança e em ideais tradicionais, algo ousado para os tempos cínicos de hoje.

Do outro lado da calçada dos quadrinhos, a Marvel encerrou sua Fase Cinco com o pé no acelerador. Thunderbolts* (93%) juntou uma equipe desajustada de vilões e anti-heróis para cumprir missões governamentais obscuras. O resultado é um filme com uma moralidade bastante cinzenta, sequências de ação orquestradas com maestria e uma atmosfera constante de sobrevivência. É o respiro perfeito para quem andava cansado do heroísmo tradicional.

O fator nostalgia não parou por aí. A Disney mergulhou de vez na onda dos remakes e entregou um live-action de Lilo & Stitch (92%) que conseguiu equilibrar o visual atualizado com o respeito à obra original. As interações do alienígena atrapalhado com o elenco humano exalam carisma, rendendo um daqueles filmes leves e de bom coração. Seguindo essa linha de conforto e grandiosidade, Wicked – Parte 2 (94%) foi o evento perfeito para os fãs de musicais, combinando dramaticidade profunda com uma trilha sonora impecável.

Ação Desenfreada e Opiniões Divididas

Para quem buscava adrenalina pura, a oferta foi farta. O spin-off Bailarina (92%) expandiu o complexo universo da franquia John Wick com muita competência. Ana de Armas assume o protagonismo como uma assassina moldada pela misteriosa Ruska Roma, entregando coreografias precisas e aquele banho de violência estilizada que os fãs tanto exigem.

O Contador 2 (92%) teve uma recepção um pouco mais turbulenta. O hype pré-lançamento era absurdo e apontava para um retorno triunfal da trama de suspense. Na prática, o filme gerou mais falatório do que convicção. A qualidade técnica e o ritmo intenso estão lá, mas a mistura de novas ambições com fórmulas antigas dividiu o público. Muitos sentiram que o roteiro abriu mão de uma estrutura de thriller redondinha para se apoiar em conveniências narrativas e violência crua.

O Último Ato de James Van Der Beek

Longe dos holofotes bilionários de heróis e animações, o cinema de 2025 também entregou obras menores e thrillers independentes que ganharam um peso emocional inesperado. É o caso de The Gates, filme que acaba de ganhar seu primeiro trailer e marca o último trabalho cinematográfico de James Van Der Beek.

O ator passou os últimos anos de sua vida lutando bravamente contra um câncer colorretal. Mesmo debilitado, ele continuou aceitando papéis para garantir o sustento de sua família numerosa. Com estreia agendada para 13 de março, o thriller acompanha três amigos, interpretados por Mason Gooding, Alger Smith e Keith Powers. Durante uma viagem de carro, o trio desvia do trajeto e acaba testemunhando um assassinato dentro de uma mansão. Van Der Beek foge totalmente do perfil de bom moço que o consagrou e dá vida a um pastor maligno e implacável, focado em caçar os jovens. Suas falas no trailer são perturbadoras, deixando claro o que acontece com quem ousa atravessar o seu caminho.

O Fim de Uma Era nos Bastidores

O auge de Van Der Beek sempre estará atrelado à virada do milênio, época em que protagonizou a série Dawson’s Creek e brilhou em filmes cultuados como Marcação Cerrada e Regras da Atração. Recentemente, o ator vinha dividindo seu tempo entre projetos menores no cinema, como Bad Hair, e aparições na TV em reality shows do calibre de Dancing With the Stars.

Seus dias finais foram marcados por amor e muita dificuldade financeira. Apenas dois dias antes de falecer, ele e a esposa, Kimberly, decidiram renovar os votos de casamento de forma improvisada. Cercados por velas e flores trazidas por amigos íntimos, realizaram uma cerimônia simples e comovente na própria cama do casal.

Os longos e caros tratamentos médicos esgotaram as reservas financeiras da família. Para tentar segurar a casa e garantir a educação e estabilidade das crianças em meio ao luto, amigos criaram uma vaquinha no GoFundMe. A comoção do público e da comunidade artística foi gigantesca, elevando a arrecadação para a casa dos 2,7 milhões de dólares.

Ainda que The Gates seja sua despedida definitiva nas telonas, os fãs terão uma última oportunidade de vê-lo atuar na televisão. Em julho, Van Der Beek aparecerá na série Elle, um prelúdio do universo de Legalmente Loira, assumindo o papel do diretor do colégio da protagonista. Uma última reverência para um ator que marcou toda uma geração.