FESTEJOS JUNINOS

Por Vanessa Santana

O mês de junho é um convite a uma série de celebrações: Dia dos namorados, festejos juninos, momento de rever a família que mora no interior, período de férias escolares dos filhos…Um mês regado a frio, forró, tradições e iguarias, por isso, muitos preferem o São João ao natal e carnaval. Essa festa, trazida pelos portugueses ao Brasil no período da colonização e incorporada a nossa cultura juntamente com as festas de Santo Antônio e São Pedro. Inicialmente possuía o nome de festa joanina, mas com o passar do tempo passou a se chamar festa junina, fazendo referência ao mês de junho.
No segmento do Turismo Cultural, o produto turístico “São João”, apresenta o rico universo das nossas crenças, tradições e manifestações populares que foram se incorporando e se reinventado em nossa cultura. Aqui na região Nordeste, ela tem maior representatividade que em qualquer outra região do país, isso porque, reúne símbolos que enriquecem esse produto, tais como: a religiosidade, a dança, os fogos, as vestimentas, a comida típica da época, dentre outros elementos.
Assim, sabe-se que a religiosidade dos brasileiros, foi herança herdada dos portugueses, por isso, os festejos juninos tem sua origem na devoção aos santos católicos do mês de junho. Já as quadrilhas, são inspiradas nas danças marcadas realizadas pelos franceses nos salões nobres da corte, as quais foram introduzidas no Brasil mais tarde durante o período de regência. Posteriormente, caiu no gosto popular, momento em que ganhou novos contornos, tornando a sua prática mais divertida, já que no Brasil, essa forma de dança faz uma sátira aos casamentos arranjados pelas famílias nobres da época. Dos chineses, adquirimos o uso de fogos de artificio durante as celebrações.
As vestimentas femininas, por sua vez, tem sua influência na cultura francesa, já que durante as festas promovidas na corte, as mulheres usavam vestidos rodados e volumosos. Aqui no Brasil, esses vestidos passaram a ser mais coloridos e confeccionados em chita. Enquanto os homens se apresentam como o tradicional matuto, de camisa quadriculada, calça jeans remendada e chapéu de palha.
A comida típica aparece como um dos elementos mais marcantes desse período, pois no mês de junho ocorre à colheita do milho, e desse produto, fazemos canjica, bolo de milho, pamonha, lêle, cuscuz, além de poder consumir o próprio alimento cozido ou assado na fogueira.
Na Bahia, tanto na capital como no interior é comum às pessoas enfeitarem as casas e as ruas com bandeirolas, acenderem fogueira na porta de casa, soltarem fogos durante o período, comerem as comidas típicas, tomarem licor na casa de vizinhos e parentes e se trajarem para curtir as festas que acontece em todo lugar. Tanto no trabalho, como na academia, como na faculdade, nas ruas e praças. Momento que podem celebrar, dançar coladinho, se aquecer próximos a fogueira frente ao frio da noite e ressignificar o espaço cotidiano durante a dinâmica do evento.
Vale salientar, que com o passar dos anos, o produto “São João” se profissionalizou, deixando de ser apenas um atrativo local para tornar-se nacional, a musicalidade e tradição que outrora era marcada apenas pelo forró tradicional, pé de serra, abre alas para o forró universitário e outros ritmos. Além disso, as quadrilhas hoje ensaiam para disputarem em concursos, não sendo mais espontâneas como antes.
Para tanto, existe um investimento maciço feito pelas prefeituras da capital e do interior para contratação de artistas renomados, assim como o patrocínio de empreendimentos hoteleiros e órgãos ligados ao Turismo para movimentar a economia local, durante esse período, fato que considero extremamente relevante. Contudo, faz-se necessário, a meu ver, revisitar as origens da festa para preservar tradições a fim de conservar nossa identidade cultural e não descaracterizar nossas memórias. Pois se fazemos de tudo para agradar ao “freguês”, como ficam nossas raízes?

Fonte da foto: http://oquefazernabahia.com/2018/06/19/sao-joao-no-pelourinho-com-muitas-atracoes/

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