ESPOROTRICOSE FELINA: MUITO CUIDADO COM ESTA ZOONOSE

Por Mariana Boulhosa

A esporotricose é causada por um fungo chamado Sporothrix sp que vive naturalmente no solo e está presente também em palha, vegetais, espinhos e na madeira. Por este motivo é conhecida como a “doença dos jardineiros”, já que é comum entre esses profissionais por estarem constantemente em contato com o solo. Os primeiros casos foram diagnosticados nos Estados Unidos no fim do século XIX em plantadores de rosas neste caso os pacientes se infectaram ao se arranharem nos espinhos, algo muito comum de acontecer.
Os felinos são as principais vítimas dessa micose, pois possuem hábitos que favorecem a transmissão da doença como escavar e arranhar. Essa enfermidade é muito perigosa e pode ser fatal se não houver o diagnóstico e o tratamento em tempo hábil. Os humanos podem se contaminar também com a doença desde que tenha contato com esses tipos de materiais, mas, atualmente os gatos estão mais expostos a doença pois amam brincar com as folhas secas e com a terra. Quando esses gatinhos transmitem a doença para os seres humanos, chamamos de esporotricose zoonótica.
Por meio de arranhadura,os gatos, infectados pelo fungo, transmitem essa doença a outros felinos, a cães e também a pessoas. Normalmente os cães e as pessoas possuem lesões mais brandas, pois não são tão severas como nos gatos e raramente impõem risco à vida. Mesmo nos felinos, que são mais afetados, a doença tem cura, mas o tratamento é caro, demorado e tem uma dificuldade a parte por conta dos tutores que é administrar medicação oral nesses peludos. Muitos gatos não aceitam e se tornam muito agressivos com seus donos na hora do remédio.
Até o momento, não se sabe a razão pela qual os gatos são tão suscetíveis ao Sporothrix muito menos porque neles a doença é tão grave e tão devastadora. Um gato com lesões pode ter o fungo em suas garras e, ao brigar com outro gato, um cachorro, ou perseguir um roedor, ele poderá passar o fungo por meio de arranhaduras. As principais lesões de arranhaduras nos gatos ocorrem principalmente na cabeça, local mais comum do aparecimento de feridas, mas não o único.
Diferentemente de outras doenças de pele, as lesões de esporotricose geralmente não causam coceira. Além de nódulos firmes, áreas de alopecia (regiões do corpo aparecem sem pêlos), úlceras no tronco, cabeça e orelhas, os animais podem perder o apetite e, consequentemente, o peso. O fungo presente nessas feridas vai destruir progressivamente a epiderme, a derme, o colágeno, os músculos e até ossos. Fora isso, o fungo pode chegar até a acometer os órgãos internos, agravando o quadro clínico. Quando o animal chega a essas condições, é comum ele ser abandonado pelos donos. Vai para a rua e alimenta a cadeia de transmissão.
É muito comum observar a concentração dessa doença principalmente em gatos de rua ou de comunidades mais carentes, o que inviabiliza o tratamento por conta dos custos e por esse motivo muitos tutores abandonam seus pets contaminados fazendo com que a doença se espalhe rapidamente.

Então , você que é um gateiro assumido, precisa ficar atento, principalmente se o seu pet tem acesso à rua, por que além da capacidade de diagnosticar os casos, realizar tratamento adequado,divulgar campanhas educativas sobre guarda responsável, é importante se conscientizar de que um animal contaminado não pode ser abandonado, pois precisa ser tratado e, caso ocorra o óbito esse animal, precisa ser cremado. Dessa forma iremos interromper a cadeia de transmissão do fungo.
Ao observar qualquer lesão na pele do seu bichano leve ao médico veterinário, ele é o profissional mais indicado para diagnosticar, tratar e orientar com relação à doença.
Até a próxima!!!!

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