BAHIA: BERÇO DO BRASIL

Por Darlan Ribeiro

A história do surgimento das primeiras cidades baianas é algo que está diretamente ligado à História do Brasil e também da Bahia. É notório, além de ser um jargão, que o Brasil nasceu na Bahia. Mas será que é correto dizer que o berço do Brasil seria a Salvador que reluz cultura e encanta o Brasil e o mundo com a sua diversidade e passado de lutas e glórias? Após a leitura de algumas das obras do Historiador Luís Henrique Dias Tavares e da análise de alguns textos sobre História da Bahia é possível perceber que outras cidades baianas tiveram papel importante na formação do então estado da Bahia.
A chegada dos portugueses, liderados por Cabral, em abril de 1500, aconteceu na região de Porto Seguro- Terra de Vera Cruz à época. Ao perceberem a diversidade de riquezas e o tamanho do território inexplorado, apesar da presença dos indígenas, os lusitanos logo trataram de colonizar o paraíso recém- descoberto através do sistema de capitanias hereditárias. De 1534 a 1598, formaram-se a Capitania da Bahia, Capitania de Porto Seguro, Capitania de Ilhéus, Capitania do Paraguaçu ou Recôncavo e a Capitania das Ilhas de Itaparica e Tamarandiva. Ainda sob a perspectiva da exploração e povoamento é importante destacar o papel das Entradas- expedições em direção ao interior do território- que buscavam também conhecer a geografia, hidrografia, fauna e flora.
A economia, naquele momento, circulava em torno do pau-brasil que foi uma matéria-prima largamente explorada, já que era cobiçada pelos europeus por conta das utilidades conferidas por sua tinta. A partir disto, nota-se uma grande procura por madeiras para a exportação, também utilizadas para a construção civil e naval. Esse extrativismo ocorre principalmente na região entre os territórios de Ilhéus e Valença. No ano de 1722, os Jesuítas instalaram uma serraria hidráulica na região de Camamu. Talvez por conta disto a região tenha ostentado por tanto tempo uma forte tradição naval, notadamente na construção de saveiros. Um outro fato que deve ser destacado é que a Capitania responsável pela região pagava tributos a Portugal enviando madeira e farinha de mandioca, o que pode ser a causa do grande número de casas de farinha ali existentes.
A partir de 1755 algumas Missões jesuíticas são transformadas em Vilas, o que significava um maior destaque para o lugar. Neste período surgem a Vila do Prado, Vila de Alcobaça, Nova Santarém (atual cidade de Ituberá), Trancoso, Maraú, Vila de Belmonte, Vila de Nova Olivença, Vila Viçosa, Valença (desmembrada de Cairú), dentre outras. Mais adiante, em 1761, o Conselho Ultramarino (D. José I) eleva as Capitanias de Ilhéus e de Porto Seguro à categoria de Comarca, visando combater mais efetivamente o contrabando de madeira e também proteger a população de Cairú e Camamu dos ataques dos índios Gueréns. A presença ostensiva e muitas vezes hostil de nações indígenas, na região que hoje compreende a Costa do Dendê e a Costa do Descobrimento, deixou em ruínas muitas localidades que pretendiam alcançar a condição de Vila. A ilha de Boipeba, no Arquipélago de Tinharé, notabiliza-se por intensos conflitos- perpetrados por índios, no intuito da proteção territorial- arrolados desde o século XVI até quase o final do século XIX.
Diante do exposto, depreende-se que, apesar da fundação de Salvador em 1549, as primeiras cidades baianas surgiram na região sul da Bahia em torno do extrativismo da madeira e do pau-brasil. Foi nas Terras de Vera Cruz que os primeiros forasteiros chegaram e de lá não conseguiram se desvencilhar das belezas e farturas de um lugar de gente brava e astuta. Portanto, Salvador é sim uma estrela no universo da Bahia, onde constelações inteiras reluzem História, histórias e poesias.

Fonte da Imagem: wikipedia

One thought on “BAHIA: BERÇO DO BRASIL

  1. Maria Izete

    É difícil nos tempos de hoje ver alguém que ainda se importa em contar e enaltecer a história da Bahia. Através desses relatos percebemos a riqueza da nossa própria casa, a Bahia. Muitas vezes nos preocupamos com um belo roteiro de viagem, mas não nos atentamos em conhecer a história daquele lugar. Precisamos levar adiante nossas raízes! Parabéns ao escritor!

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