Patrícia Galvão, a Pagu, é homenageada em peça no Teatro Martim Gonçalves

Patrícia Galvão, Mara Lobo ou Solange Sohl. Militante comunista, escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista ou jornalista. Muitos nomes e adjetivos podem ser atrelados a Pagu, mas a frase que a melhor define é: grande mulher da História do Brasil. É a voz dessa personalidade que a peça EU PAGU leva ao palco do Teatro Martim Gonçalves, com entrada gratuita.

O espetáculo faz apenas três apresentações, de sexta (18) a domingo (20). Sexta e sábado a apresentação será às 20h e no domingo às 19h. EU PAGU é um projeto do grupo A Panacéia, que em 2019 completa 11 anos. A curtíssima temporada é a formatura em Artes Cênicas pela UFBA da diretora convidada pelo grupo, Letícia Bianchi. A montagem é encenada pelas atrizes Camila Guilera, Larissa Lacerda e Larissa Libório.

EU PAGU é a terceira montagem dirigida por Bianchi, que venceu a última edição do Prêmio Braskem de Teatro na categoria revelação. Ela foi escolhida pela direção de Eudemonia – Em Memória a uma Peça Nunca Encenada, seu primeiro espetáculo. Em agosto, ela estreou Memórias do Mar Aberto: Medeia Conta sua História, com a atriz Vivianne Laert no papel principal. Os três projetos enfocam no protagonismo feminino, marca com a qual a artista busca construir a carreira como diretora.

Vida, paixão e luta

A peça sobre Pagu convida o público a visitar as próprias paixões e a necessidade de lutar por suas causas. Em cena, além das atrizes, há uma banda formada apenas por mulheres instrumentistas. O texto é autoral, construído de forma coletiva e conta com canções inéditas das compositoras Jadsa Castro, Larissa Lacerda e Sandra Simões.

O espetáculo faz um recorte da vida de Pagu até os 30 anos, período em que militou pelo Partido Comunista, foi casada com Oswald de Andrade, esteve envolvida nas revoluções artísticas e movimentos políticos que movimentaram o país nos anos de 1930 e precisou usar diversos pseudônimos. Sua relação com a militância, com a maternidade, com os homens, com a intelectualidade e com a escrita são algumas das questões levadas à cena.

EU PAGU tem espírito de palanque, congrega linguagens e artistas de diferentes segmentos e trajetórias, com potencial de agregar públicos. É uma obra que nos faz pensar sobre a realidade político-social do Brasil de ontem e hoje. Pagu é uma voz de mulher que ousava vociferar nos palanques num tempo em que as mulheres não podiam participar da vida pública. Entre os anos de 1920 e a atualidade, seguem se perpetuando opressões e diversas violências no Brasil, porém persistem também as lutas travadas por tantas ‘Pagus’ que ao longo do tempo empunharam seus corpos e vozes para bradar por condições mais justas, igualitárias, livres”, afirma Camila Guilera, atriz, diretora de produção do espetáculo e uma das fundadoras d’A Panacéia.

A Panacéia é um grupo de teatro composto por criadoras-pesquisadoras da cena. Nasceu em 2008 e caracteriza-se por realizar uma ampla gama de atividades em produção, pesquisa e difusão das artes cênicas, tais como: criação e circulação de espetáculos, apresentações artísticas, debates, oficinas, publicações virtuais e organização de eventos. Entre as realizações do grupo, destacam-se o espetáculo Dorotéia (2010), com direção de Hebe Alves; o projeto A Face Oculta da Lua, que deu origem à performance de rua Lua Caída (2013) e aos espetáculos Lua Crescente (2013) e Lua Cheia (2015).

A Panecéia assina a produção em parceria com o Cooxia Coletivo Teatral. Como espetáculo de formatura, ele conta com orientação acadêmica da professora Deolinda Vilhena, artística do professor João Sanches, ambos da Escola de Teatro da UFBA, e musical de Luciano Salvador Bahia. A coreografia e direção de movimento são assinadas por Bárbara Barbará.

SERVIÇO

EU PAGU

De 18 a 20 de janeiro

Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h

Teatro Martim Gonçalves

Entrada grátis

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